TESES: LUZ AO FUNDO DO TÚNEL
ARTICLES • 08-10-2014
TESES: LUZ AO FUNDO DO TÚNEL

Valle del Colca, PERU


 

 
Tanto por razões pessoais como profissionais, tenho contactado de perto com um desafio humano muito peculiar: escrever uma tese de doutoramento (ou mestrado). Na verdade, um documento que se esperaria resultar de um exercício eminentemente científico, encontra na sua concretização intrincadas nuances psicológicas, numa mistura complexa de tropeções de ego e debilidades metodológicas.
 
 
Por um lado, surge-me a questão do próprio documento: será que o formato "tese" é o mais adequado para o que se pretende? Para que serve? Porquê tão tipicamente solitário? Que valor acrescentado queremos obter do exercício? Haveria uma forma mais ágil e eficiente de conseguir o mesmo resultado, ou ainda melhor?
 
 
Por outro lado, pergunto-me: estarão as universidades a providenciar as condições certas para que todos os investigadores possam dar o seu ótimo contributo, com qualidade e a tempo? Estarão os nossos docentes dotados das competências certas e especializadas para facilitar, coordenar e conduzir a bom porto o trabalho envolvido, qual parceiro editorial, tornando a aventura de produzir um destes documentos um ato de excelência na agilidade científica?
 
 
Será que o próprio ato de superação e endurance psicológica quase eremita faz parte intencional da validação do acesso ao estatuto académico de doutorado? Como uma espécie de recrutamento inicial muito duro nos candidatos a fuzileiros, para que os mais fracos desistam? Será isso um passo importante e incontornável para um futuro de sucesso?
 
 
Sinceramente, eu que não escrevi tese alguma (ainda), não saberia responder a estas questões, nem com elas pretendo insinuar que algo está bem ou mal. Apenas acho pertinente e benéfico questionarmos de tempos a tempos a razão de ser dos métodos e formatos tradicionais, para que nunca percamos de vista o propósito nuclear do que estamos a fazer, não vá desajustar-se, sem darmos por ela, o método do objetivo. Acreditando que ciência, academia e inovação andam de mãos dadas, também nesta matéria a coerente evolução estará certamente a caminho.
 
 
Independentemente de todas estas reflexões, "escrever uma tese" é o que é, e tanto quanto me é dado perceber constitui assídua fonte de sofrimento para inúmeras pessoas. Dedico-lhes assim o "TOOLKIT" que anexo a este artigo de hoje, com as minhas ideias sobre como alguns fundamentos gerais de produtividade pessoal se podem aplicar a uma tese em particular. Ciente de que abundam as dicas nesta temática, espero que possam encontrar algo útil para a vossa coleção pessoal.
 
 
Boas escritas!
 
 
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AVISO: o anexo que se segue foi escrito especificamente para quem tem ativo interesse na problemática "escrever teses". Não sendo o seu caso, temo que o possa achar pouco apelativo...
 
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TOOLKIT "10 TRUQUES PARA ESCREVER TESES"
 
 
1. PARA QUE SERVE A SUA TESE?
 
TRICK
Escreva numa A4 para que serve terminar a sua tese e porque é isso valioso - afixe à frente do seu nariz!
 
Razões típicas:
- contributo científico?
- acesso/manutenção de uma posição de docência, com tudo o que isso implica em termos de enquadramento profissional e pessoal? especifique os detalhes
- pertencer ao clube "dos que conseguiram"? ou ainda mais rebuscado: pertencer ao clube "dos que conseguiram E fizeram um belo trabalho"?
- ser uma pessoa melhor: este carimbo vai tornar-me elegível, sem isso não sou uma pessoa completa
- para deixar de ter uma núvem negra em cima da cabeça que me acompanha, sempre, para todo o lado (esta é muito valiosa e às vezes negligenciada)
- que mais...?
 
Recomendo evitar cair em razões de ordem identitária: você é quem é, quer termine ou não termine a sua tese. Ter o seu ego ao barulho só vai atrapalhar a coisa. Em particular, o pensamento "sou mesmo incapaz, nem uma tese consigo terminar", é água envenenada que não quer beber. A implicação: "se não-tese, logo, eu sou xx" não existe. É fruto da sua imaginação.
 
Pense em coisas práticas que são o seu real objetivo: carreira, dinheiro, estilo de vida, contributo científico, poder ensinar, aceder a desafios, projetos e oportunidades interessantes, etc.
 
 
2. BLOQUEIOS DE AÇÃO
 
O nosso cérebro bloqueia-nos tarefas que reúnam pelo menos um destes ingredientes:
a) a utilidade da tarefa é duvidosa (o meu tempo seria melhor usado noutra coisa);
b) a tarefa envolve muita incerteza no seu sucesso (será que vou ser capaz?) - lidar com essa incerteza é doloroso.
As teses têm os dois ingredientes. Em doses massivas. 
 
TRICK
a) (utilidade: está feito, foi o ponto anterior)
b1) liste e afixe à frente do nariz processos penosos, difíceis e internamente bélicos, de onde saiu vitorioso
b2) defina vitórias parciais, diariamente, e garanta que pode mesmo ganhar: não seja demasiado otimista nos objetivos, porque isso significa derrotas e agrava o bloqueio. Construa expectativa de auto-eficácia em cima de vitórias, por pequenas que sejam, não em cima de culpa.
 
 
3. DESENTUPIR O ROBOT DA ESCRITA
 
Famosíssima entre milhares de escritores, esta dica parece pouco comum entre os "tesistas"... Cada vez que se senta para escrever, as primeiras frases são para deitar fora - ainda assim, têm que ser escritas! Servem para aquecer a máquina de carregar nas teclas, como um atleta faz antes de um jogo.
 
TRICK
Ao começar a escrever, escreva algumas frases para deitar fora, só para desentupir o canal "pensar -> teclar".
 
Exemplo: este artigo começou a ser escrito assim: ["Ora aqui está uma boa frase para deitar fora, sobre o que quero mesmo escrever? Ah, sim teses e aqueles bloqueios que às vezes duram anos, ok, tema interessante, acho que vai ser útil a alguém. vamos então a isto... como faço? uma lista de dicas? para ser completo, se calhar vai ficar muito comprido..."] - evidentemente não sobrou nada destas primeiras palavras... 
 
 
4. COMPREENDA A LEI DE PARKINSON
 
"A motivação para a tarefa cresce exponencialmente com a proximidade do prazo limite."
E não há muito a fazer. Este processo interno tem uma intenção positiva de o proteger de algo desconfortável - neste caso escrever a tese. Não use culpa para resolver. Pode fazer mais sentido lembrar-se que vai ser um stress louco perto do fim do prazo, e que está a tempo de o aligeirar, se começar já.
 
TRICK
Evitar auto-culpabilização por falta de disciplina. Ainda assim, não ignore que começar já pode valer muitos pontos no futuro.
 
 
5. SAIBA O QUE VAI DIZER
 
TRICK
Antes de cada capítulo, ou subcapítulo, ou parágrafo, resuma ao lado o que quer dizer numa frase curta.
 
Exemplo: neste artigo seria: "Fica mais fácil escrever uma tese se compreendermos e contornarmos alguns mecanismos psicológicos de bloqueio." Este ponto 5, em particular, seria: "Manter em mente a mensagem-chave que quero passar facilita tudo, porque dá rumo e propósito ao texto".
 
 
 
6. DECIDA O NÍVEL DE PERFECIONISMO
 
Claro que podia ficar melhor! Pode sempre ficar melhor. Mas... para que serviria isso? Sugiro distinguir entre a utilidade palpável de cada melhoria e um exercício de massagem ao ego. Projetamos a nossa identidade em tudo o que fazemos. Quando associamos ao exercício de "entregar, submeter" uma arriscada exposição do nosso ego à crítica, vamos querer evitar dar por terminado até estar perfeito (nunca está) - uma armadilha a evitar.
 
TRICK
Distinga "crítica ao meu trabalho" de "crítica à minha pessoa". Saber o que está a querer dizer em cada capítulo vai ajudar a clarificar o critério de "good enough".
 
 
7. SÓ RENDE A PARTIR DE X TEMPO SEGUIDO
 
Todos sabemos disto. Trabalhar 2 horas por dia durante 5 dias não rende nem perto de trabalhar 10 horas num dia. Reveja a sua distribuição de esforço no calendário, sabendo que de cada vez que arranca consome um tempo notável de "setup". Inclua ainda pontos de controlo com o seu orientador, para contar com a motivação extra de cumprir com alguém externo.
 
TRICK
Mais horas seguidas e sem interrupções ou distrações. (go off-line!)
 
 
8. CONTE O NÚMERO DE PALAVRAS QUE ESCREVEU
 
Quando estamos na fase "escrever a tese", nº de palavras/páginas é a única métrica decente. Esforço, tempo, sofrimento ou dedicação não são o objetivo do jogo. O objetivo é fazer pontos! E 1 palavra escrita = 1 ponto. Leu muito e não escreveu nada? zero pontos! Teve umas boas ideias e não foram parar ao documento? zero pontos! Aproveitou para adiantar um parágrafo com 50 palavras? boa, 50 pontos! Para ganhar o prémio, é só acumular uns 100.000 pontos, palavra após palavra!!!
 
TRICK
No final de cada período de trabalho, tome nota do nº aproximado de palavras que foram parar ao documento.
 
Se está numa fase anterior a escrever e a métrica "nº de palavras" ainda não se aplica, identifique uma métrica similar objetiva, mas que não seja "tempo". (nº páginas lidas, nº dados inseridos, nº análises realizadas, nº hipóteses testadas, ...). Valide assiduamente se há relação clara entre a métrica que está a usar e o progresso global do projeto.
 
 
9. DE QUE COISAS IMPORTANTES ESTÁ DISPOSTO A ABDICAR?
 
Não cabe tudo, é uma troca. Se manter o que tem mantido não está a funcionar, que coisas importantes vão ter que saltar fora? Enquanto não tiver assumido esta perda relativa e temporária, o seu cérebro vai armadilhá-lo no mau sentido... Revelará um inimaginável apelo por tarefas penduradas há séculos: arrumações, projetos de bricolage, levar o carro à oficina, loja do cidadão e até ir ao dentista! Produtivo? Certamente que sim. Para a sua tese é que não...
 
TRICK
Liste e afixe de que coisas importantes está disposto a abdicar (temporariamente) para terminar a sua tese.
 
 
10. ESCREVER UMA TESE É DESCONFORTÁVEL POR NATUREZA
 
Tentar escrever a sua tese evitando desconforto é fazer omoletes sem ovos. Decidir terminar uma tese é dar as boas-vindas à dose brutal de desconforto que o processo envolve. Embrace it!
 
TRICK
Se sente desconforto, está provavelmente no bom caminho! E o inverso também é verdade.
 
Note bem: quando digo desconforto é por exemplo sentir medo ao escrever no teclado. É sentir confusão ao ver tantas hipóteses. É "magoar-se" na análise incongruente dos seus resultados. É de repente ter que rever tudo porque finalmente sabe o que quer dizer, e sentir o arrependimento de tanto tempo desperdiçado. É sentir a faca afiada do orientador ao tecer comentários por dentro demolidores e frustrantes. Este desconforto de que falo é quase físico, magoa, sente-se na pele. É lá no terreno! NÃO É o desconforto de se sentir culpado no sofá enquanto come chocolates e vê televisão...
 
 
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Finalmente: terminar uma tese, como escrever um livro, é algo único! Não é para todos. Decida se para si faz sentido ser uma dessas pessoas. Uma pessoa que troca muitas horas de liberdade por algo meio intangível, difícil e psicologicamente desafiante. Não tem que ser o seu caso. Não será nem melhor nem pior pessoa por isso. Mas saiba que querer ser uma dessas pessoas, sem perder algo do que tem em troca, não dá. Tentar alcançar tamanha façanha apenas nos intervalos entre tudo o resto, não funciona. Dedique-se a sério, em exclusivo uns tempos, assuma a decisão do investimento e verá que há luz ao fundo do túnel!
 
 
Desafio: tem algum truque adicional que considere útil e possa dar jeito a quem está neste momento em plena batalha? As suas ideias e comentários serão muito bem-vindos!
 
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THESIS: A LIGHT AT THE END OF THE TUNNEL
 
 
For personal and professionals reasons, I’ve closely contacted with a very peculiar human challenge: to write a doctoral (or master) dissertation. In fact, a document that would be expected to result an eminently scientific exercise, finds in its elaboration intricate psychological nuances, a complex blend of ego obstacles and methodological weaknesses.
 
 
In one hand, the issue of the document itself: is the format "thesis" the most suitable for what you want? What's its purpose? Why is the process so typically lonely? What added value do we want to get from the exercise? Would there be a more agile and efficient format to achieve the same result, or even better?
 
 
On the other hand, I ask myself: are the universities providing the right conditions for investigators to get their optimal contribute, with proper quality and time? Do our Professors have the right and specialized skills to ease, coordinate and take to a good end all the work involved, such as an editorial partner, making the adventure of writing one of these documents an act of excellence in scientific agility?
 
 
Do the almost hermit act of overcoming oneself and psychological endurance intentionally makes part of the status of access to academic doctorate validation? As a kind of very hard initial recruitment of Marine candidates, so that the weakest give up? Is that an important and essential step for a successful future?
 
 
Honestly, since I haven’t written a thesis (yet), I couldn’t answer these questions, nor suggest that something is right or wrong. I just think it's relevant and beneficial to question, from time to time, the reasons behind traditional methods and formats, so we never lose sight of the core purpose of what we are doing, or we may go out of adjustment, without our awareness, of the objective's method. Believing that science, academy and innovation go hand to hand, also in this matter the coherent evolution is certainly the way.
 
 
Regardless of all these reflections, "write a thesis" is what it is, and as much as I can perceive it’s a frequent source of distress for many people. I dedicate to them the "TOOLKIT" that is attached to this article today, with my ideas about how some general personal productivity principles can be applied to a thesis in particular.
 
Aware that the tips on this subject abound, I hope you can find something useful for your personal collection.
 
 
Have a good writing!
 
 
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WARNING: the attachment was written specifically for those who have active interest about writing thesis. If this isn’t your situation, I fear you may find it unappealing…
 
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TOOLKIT "10 TRICKS TO WRITE THESIS"
 
 
1. WHAT’S THE PURPOSE OF YOUR THESIS?
 
TRICK
Write in an A4 sheet the purpose of ending the thesis and why that is valuable – post that in front of your nose!
 
Tipical reasons:
- scientific contribute?
- accessing/maintaining a Professor status, with all that this implies in terms of personal and professional contexts? Specify the details
- to belong to “the ones that achieved” group? Or even more farfetched: to belong to “the ones that achieved and did a great job”?
- to be a better person: this stamp will make me eligible, without that I’m not a complete person
- to leave the black cloud above my head that always follows me everywhere behind (this reason is very valuable and, sometimes, neglected)
- what else...?
 
I recommend avoiding falling into identity order reasons: you are who you are, whether you complete or not your thesis. Having your ego in the process will only slow it down. In particular, the thought "I really am incompetent, I cannot even finish a thesis" is poisoned water you don’t want to drink. The implication: "if non-thesis, therefore I'm xx" doesn’t exist. It is a result of your imagination.
 
Think in practical things that are your real goal: career, money, lifestyle, scientific contribute, ability to teach, access challenges, interesting projects and opportunities, etc.
 
 
2. ACTION BLOCKS
 
Our brain blocks the tasks that have at least one of these ingredients:
 
a) task utility is doubtful (my time would be better used doing another thing);
b) task involves a lot of uncertainty about its success (will I be capable?) – dealing with that uncertainty is painful.
Thesis have this two ingredients. In massive doses.
 
TRICK
a) (utility: done, it’s the previous topic)
b1) list and post in front of your nose painful, hard and internally dangerous processes, of which you left victorious
b2) design partial victories in a daily basis and make sure that you can actively win: don’t be too optimistic about your goals, because that means failure and the blockage gets worse. Build self-efficacy expectancy above victories, even if they are small ones, not above guilt.
 
 
3. UNBLOCK THE WRITING ROBOT
 
Very famous among thousands of writers, this one seems less common between “thesists”… Each time you sit down to write, the first few phrases are meant to throw out – still, they have to be written! They help the pressing keys machine to heat up, like an athlete does before a game.
 
TRICK
Trying to begin writing, write some sentences to throw away, just to clean the channel “think -> write”.
 
Example: this paper began like this: ["There’s a good sentence to throw away, what do I want to write about? Oh, that’s it thesis and those blockages that can last years, ok, interesting theme, I think it will be useful to someone. Let’s go… How do I do it? A tricks list? To be complete, it may be to long…”] – Obviously, nothing remained of these first sentences…
 
 
4. UNDERSTAND PARKINSON LAW
 
“Task oriented motivation grows exponentially with the deadline proximity."
 
There’s not much you can do. This intern process has the positive intention of protecting you from discomfort – in this matter, to write the thesis. Don’t use blame to solve it. It can make sense to remember that it will be an insane stress near the deadline and that you have time to light that up if you start right now.
 
TRICK
Avoid self-blame because it lacks discipline. Still, don’t ignore that starting right now may worth many points in the future.
 
 
5. KNOW WHAT YOU’RE GOING TO SAY
 
TRICK
Before each chapter, or subchapter, or paragraph, summarize on the side what you want to say in a short sentence.
 
Example: in this paper it could be: “It’s easier to write a thesis if you understand and overstep some psychological mechanisms that blocks us.” In topic 5, in particular, it could be: “Keep in mind the key-message I want to pass makes it all easier, because it orients the text and gives it a purpose”.
 
 
6. DECIDE THE LEVEL OF PERFECCIONISM
 
It’s obvious it could be better! It can always be better. But… what would thar be for? I suggest to distinguish between the utility of each tangible improvement and an ego massage exercise. We project our identity in everything we do. When we associate to the exercise of “deliver, submit” an ego risked exposure to criticism, we will want to avoid finish it till it’s perfect (and it never is) – a trap to avoid.
 
TRICK
Make a difference between “critique of my work” and “critique of who I am”. Knowing what you want to say in each chapter will help to clarify the criteria of "good enough".
 
 
7. IT IS ONLY WORTHWHILE AFTER X TIME PASSED
 
We all know that. Working 2 hours a day during 5 days doesn’t pay out as much as working 10 hours in one day. Review your effort distribution on your calendar, knowing that every time you start you consume a remarkable “setup” time. Include control periods with your Professor, to count on extra motivation of having to comply to someone external.
 
TRICK
More consecutive hours without interruptions or distractions. (go off-line!)
 
 
8. COUNT THE NUMBER OF WORDS WRITTEN
 
When you’re on “writing the thesis” phase, the number of words/sheets is the only decent metric. Effort, time, pain or dedication aren’t the game’s goal. The goal is to get points. And one word written = 1 point. You read a lot but you didn’t write anything? Zero points! You had some ideias and they aren’t on a document? Zero points! You took a chance on going ahead writing a 50 words paragraph?Good, 50 points! To win the prize, you need to join 100.000 points, word after word.
 
TRICK
At the end of each work period, make some notes about the approximate number of words that went on the document.
 
If you’re in a previous stage and the “number of words” metric doesn’t apply to you, identify a similar objective metric, but it can’t be “time”. (number of read pages, number of data processed, number of analysis done, number of hypothesis tested… Validate frequently if there’s a relation between the metric you’re using and the global progress of the project.
 
 
9. WHICH IMPORTANT THINGS ARE YOU WILLING TO LET GO OF?
 
It doesn’t fit all, is an exchange. If doing what you’ve been doing isn’t working, which important things may jump off? While you don’t assume this relative and temporary loss, your brain will trap you in a bad way… It will reveal an unimaginable appeal for tasks that are pending for ages: cleaning, bricolage projects, take the car to the mechanic, citizen office and even go to the dentist! Productive? Certainly yes. But not for your thesis…
 
TRICK
List and post the important things you-re willing to let go (temporarily) to finish your thesis.
 
 
10. WRITING A THESIS IS BY NATURE UNCONFORTABLE
 
Trying to write your thesis avoiding discomfort is like doing omelets without eggs. Deciding to finish your thesis is to welcome the brutal dose of discomfort that the process evolves. Embrace it!
 
TRICK
If you feel discomfort, you’re probabily in the right way. And the opposite it’s also true.
 
Note: when I say discomfort it’s for instance feel fear while writing on your keyboard. It’s to feel confusion when seeing so many hypothesis. It’s to “hurt yourself” in the incongruent analysis of your results. It’s suddenly having to review all because you finally know what you want to say, and feel the regret of so many wasted time. It’s to feel the sharped knife of your Professor making destructive and frustrating comments. This discomfort I’m talking is almost physique, it hurts, you feel it in your skin. It’s in the field! It’s NOT the discomfort of feeling guilty on the couch while you’re eating chocolate and watching TV…
 
 
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Finally, finishing a thesis, like writing a book, it’s unique! It’s not for everyone. Decide if makes sense for you to be one of those people. One that changes a lot of free hours for something that seems intangible, hard and psychologically challenging. It may not be your situation. You won’t be a better or worse person because of that. But understand that desiring to be one of these people, without loosing anything, won’t work. Trying to achieve such a feat in the breaks between everything else, won’t work. Dedicate yourself seriously, exclusively for a while, assume the investment decision and you’ll see the light at the end of the tunnel!
 
 
Challenge: do you know an additional trick that you consider useful for those in the middle of the battle right now? Your ideas and comments are welcome!
 
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3 comments
maria
Um dos truques que utilizo em fases de grande desmotivação é ter um bloco de notas onde todos os dias que "pego" na tese coloco a data e escrevo que me proponho fazer. Ajuda a dar visibilidade ao que estou a fazer e sobretudo ao que não estou a fazer a assim tomar decisões.
in 2017-06-15 18:36:21
Oswaldo
This is really great stuff. I wrote a similar blog in german about social media tactics on my website. Tks for sharing.

http://allin1panel.com/blog/discover-social-media-marketing/
in 2017-03-15 00:04:23
Sofia Castro Pereira
Confortou-me saber que estou na fase do desconforto!
in 2014-10-16 17:23:29
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