UM SOL À VOLTA DA TERRA
ARTICLES • 25-06-2018
UM SOL À VOLTA DA TERRA

 


 
Sobrevoando as desérticas e fascinantes paisagens do Grand Canyon, pairo num certo sentimento de pasmo, de pertença e de infinito. Difícil de descrever... Estou de regresso de Los Angeles, onde completei com sucesso uma das mais avançadas certificações de coaching do mundo. É o culminar de um ano de trabalho, de muitas e muitas horas de dedicação, muitas dezenas de sessões monitorizadas, auscultadas, corrigidas, afinadas; inúmeras sessões assistidas, conduzidas pelos mais emblemáticos Coaches mundiais; orientações contínuas, de vários mentores de excelência, que comigo trabalharam individualmente; múltiplas oportunidades de experienciar, em exercícios práticos, e no papel de cliente, importantes transformações na minha maneira de pensar, para conhecer em detalhe e na primeira pessoa o processo a que submeto os meus clientes; um exame final, testando sob a pressão da avaliação a habilidade de foco na pura presença com o cliente, conseguindo deixar de lado o meu eu e a minha performance; uma incrível experiência de networking mundial, de partilha multi-cultural desta expertise peculiar que é ser Coach. De tudo isto, sobra-me este sentido de completude de quem terminou qualquer coisa com sentido: que aventura!...

Não é propriamente a minha primeira certificação, embora esta tenha sido certamente a mais longa, a mais exigente, a mais prática, a mais intensiva e a mais impactante. Há 10 anos que coleciono carimbos destes, sempre tentando treinar com os melhores do mundo. E o mais o curioso de tudo isto, é que, ao longo de todo este tempo, de todos estes cursos - desde os níveis iniciais aos mais avançados, passando por todos os tecnicamente específicos - mantém-se uma mesma pergunta, tão simples quão fundamental em tudo isto: "O que muda as pessoas?".

Que é como quem pergunta: o que transforma o comportamento humano? o que dá sustentabilidade a essa alteração? o que mexe verdadeiramente na nossa incrível maquinaria mental? o que nos habilita a experienciar um sentido de flow, capacitando a nossa mais elevada performance? o que nos permite um grau de conexão interpessoal de excelência? o que nos possibilita uma vivência existencial rica nos sentidos, enquanto animada, alinhada, norteada, acompanhada por um profundo sentimento de gratidão? o que nos empurra a fazer acontecer no mundo feitos notáveis que lá não estariam se não lhes dedicássemos a nossa melhor energia: uma empresa rentável, um produto inovador, uma fundação louvável, um golo magistral?


Responderia, de forma simplista: Perspetiva! Sempre, e uma vez mais: muda a perspetiva, transforma-se a pessoa. Transforma-se a capacidade de criar, no mundo cá fora, o que deriva de um sentido de contributo, de missão, de alinhamento de valores.

Partilho hoje esta profunda admiração por tudo o que vivi nos últimos meses. Pelo que me mudou cá por dentro, uma vez mais confirmando ser sempre pela alteração de perspetiva que tudo acontece. Pela alteração da consciência. Pela sua ampliação. Por colocarmos em causa a nossa verdade individual, substituindo-a gradualmente por verdades mais verdadeiras. Menos pessoais e mais universais. Menos voláteis e mais fiáveis. Um pouco ao jeito de Copérnico, deixando de colocar as nossas crenças no centro do universo, compreendendo a realidade de uma plataforma mais sólida, e vendo como mudando o ponto de vista se altera tão dramaticamente o que achávamos ser o real.


É o que, uma vez visto, não se pode desver. Um novo atalho, que sendo tão simplesmente melhor, não precisa de grande disciplina ou treino para ficar connosco para sempre. Mesmo se durante 30 anos fomos à volta. Há que abrir os olhos. Para a natureza construída do que nos parece existir, nem nos apercebermos que como carrega a nossa subjetividade. Não um pouco dela, muita. Não 10%, 20%, 30%. 100%! Há que compreender que apenas vivemos a experiência dos nossos pensamentos, não das nossas circunstâncias. Que habitamos uma realidade meramente sustentada na nossa cognição. Um pura projeção mental que não existe cá fora: o inocente erro de um aparente movimento do sol à volta da terra. É só isso.


Reinventamo-nos verdadeiramente sempre e apenas quando percebemos algo mais sobre a natureza da nossa experiência. E é incrível o que um vislumbre sobre essa verdade pode mudar na nossa essência! Notável é a mudança que vem de dentro. Não das regras cá fora, do que devemos ser e fazer, mas de dentro. Sempre de dentro.
 
 
 
 
 
Gonçalo Gil Mata
 
 
 

 

(Foto: Nevada, USA)

 

PS - Atenção! Vem aí o REINVENTION Day 2018! Como sempre, uma vez por ano, dedico um dia a partilhar o que tenho aprendido sobre transformação e realização pessoal. Um dia ao serviço de quem quer mudar a sua vida, de quem quer ver mais, de quem quer reinventar-se. Saiba mais neste link.
 

 

 

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