FIM DE SEMANA DE 3 DIAS
ARTICLES • 22-11-2015
FIM DE SEMANA DE 3 DIAS

Hong Kong, CHINA


 

Não conheço bem a origem do fim de semana, nem qual o propósito específico de quem o inventou, mas... quando penso em fim de semana, penso mais ou menos em férias, em descanso, em relaxe, em esquecer o relógio, em ouvir o tique taque dos ponteiros sem pressa.
 
Um fim de semana pode ser como uma visita a Nova Iorque. Queremos aproveitar. Ninguém quer passar um dia em Nova Iorque enfiado no quarto do hotel, com o sol lá fora e um mundo para explorar. Mas, já se sabe, uma semana em Nova Iorque, mesmo se andarmos a correr, nunca dá tempo para ver tudo. E tentar muito, significa não descansar nada. E significa abdicar dessa única e emblemática experiência de passar umas horas no Central Park a ouvir à distância e à nossa volta o burburinho de uma das maiores cidades do mundo, enquanto damos de comer aos esquilos e lemos um livro ao som dos passarinhos.
 
 
Correr, correr, correr, aproveitar, esmifrar. Para quem tem miudagem pequena, então, ufa... que canseira! Só sair de casa com bicicletas na mala do carro pode ser um autêntico projeto. Passar no super. Festa do coleguinha às 15h00. Passar em casa dos sogros para ir buscar não sei o quê. Shopping fazer cópia das chaves, que já devíamos ter tratado. Já agora capa do telefone na Fnac. Deixar um na tia, outro na avó, e finalmente um tempinho para nós. Talvez passar em casa do João, que já estamos para lá ir há 2 meses ver a miúda e ainda não conseguimos. Mas a correr, tudo isto sempre a correr, e sempre atrasados. A compensar uma semana de acumulação de detalhes a resolver. Sempre de relógio em punho, telemóvel a pistolar SMSs e combinações e recombinações, e possibilidades, sonhos, desejos de estar em todo o lado e com todos, Ai que o sol se acaba, rápido! Uma gestão quase sofrida de todas as oportunidades que podiam, até deviam, caber nestas 48 horas. Bem, talvez melhor ligarmos a recombinar, para mais tarde, se der, talvez dê, se calhar já é tarde, deixa lá fica para o próximo. Sim, no próximo é que vai ser. No próximo fim de semana vamos fazer TUDO!
 
 
Não faltará caber qualquer coisa mais? Lentidão? Descanso? Respirar? Serenar na calma de uma passada mais vagarosa? Mas que canseira isto do fim de semana, com tanto desejo sem cabimento. Tão maior a encomenda que a barriga. Ainda por cima um fim de semana que logo se quebra a meio com a neura de Domingo a ameaçar instalar-se cedo pela manhã, a esbanjar metade do ouro se a deixamos pairar...
 
Não faltará aceitar que cabe pouco nesses dois dias? Perceber que 3 seria igual? Dizer que não mais vezes? Acolher pacificamente a ideia de que "não vai dar para tudo", sob pena de perder a oportunidade de, simplesmente, não fazer nada? Não deveríamos evitar cair nessa armadilha de nos prometermos em demasia, lançando-nos a uma corrida em esforço? Como no dinheiro e no espaço, a escassez do tempo é propriedade do mundo. Um facto - não a contrariar, mas a absorver.
 
 
Da esperança de querer fazer tudo e não perder pitada, nasce a prisão da correria. Como da aceitação da escassez nasce a prudência na escolha, que é a expressão máxima da liberdade: dizer que não, sem sentir que a perda pese, porque afinal a leveza resultante é que é o ganho.
 
 
Se este seu fim de semana foi uma autêntica correria, como o meu foi, recomendo desde já que baixemos as expectativas para o próximo. É que não caberá muito mais. Considere, pois, começar já a desmarcar compromissos e fazer caber um belo pedaço de nada, de espaço, de exploração, de liberdade. E não digo um nada que o obrigue a estar às 17h00 de Domingo em casa para iniciar o processo de não fazer nada, que acaba por ser mais o de preparar tudo. Digo um nada que verdadeiramente não tenha relógio e que o deixe desmaiar na areia de inverno por uns minutos, se isso lhe ocorrer. Um nada que o deixe iniciar um projeto que vai deixar a meio antes do jantar. Ou mergulhar num divertido Clash of Clans por um tempo. Ou numa brincadeira infinita com uma filha. Como se não houvesse mesmo mais nada para fazer. Um nada puro. Pleno de potencial.
 
 

Gonçalo Gil Mata

 


 

Amanhã, 3a feira (NOV24), estarei no charmoso VIP LOUNGE - o 19º piso do Hotel Porto Palácio a falar sobre o tema "MUDAR DE VIDA". Falarei sobre a minha viagem BuenaYork e sobre a passagem da Engenharia Informática para o Coaching Executivo e um pouco da criação da MIND4TIME. Apareçam!

horário: 19h00 - 20h00 (inscrição gratuita, mas obrigatória: comunicacao@portopalaciohotel.pt)

1 comment
Rita Gil Mata
Procuramos emoções, sensações, num equilíbrio muitas vezes difícil. O prazer que me dá ir ver o filho recém-nascido de alguém, ou ir andar de bicicleta ao parque da cidade, terá de se sobrepor à correria, ao relógio.
Assumo que uma vida familiar tem de ser decidida, organizada. Decidir que este sábado é para ficar em casa. De pijama. Sem sair para nada - nem comprar pão. Mas decidir, prever, antecipar esse momento. Senão fica tudo meio "perdido".
in 2015-11-23 12:56:08
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